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Vistorias de Engenharia Civil em Edificações - Parte 2/3: Manifestações Patológicas Comuns



Apresentam-se algumas das manifestações patológicas mais recorrentes, com o objetivo de demonstrar algumas características práticas da atividade de engenharia diagnóstica. Dentre problemas construtivos relacionados ao sistema estrutural, ao sistema de vedação, aos acabamentos, à pintura, às esquadrias, às instalações prediais e à impermeabilização.





As patologias são defeitos que surgem nas edificações e que as tornam inadequadas e/ou impróprias ao uso. Compreende-se, de acordo com o Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de São Paulo (IBAPE-SP, 2011), que as anomalias construtivas e descuidos com a manutenção predial causam não somente danos pessoais e materiais aos usuários e proprietários das edificações, como também à sociedade em geral, tendo em vista que a deterioração urbana afasta o turismo, reduz a autoestima dos cidadãos e favorece o crime.


Deutch (2013) expõe que é imprescindível o conhecimento da sequência lógica da progressão da manifestação patológica, para que seja possível realizar um correto diagnóstico e prognóstico que resolva o problema em si. A fim de estabelecer corretamente as responsabilidades e a forma de resolver cada manifestação patológica possível em uma edificação, cabe expor os diferentes fatores de origem definidos pelo IBAPE-SP (2011), como endógenos, exógenos, naturais e funcionais:


  • Endógenos ou internos: provenientes de irregularidades intrínsecas ao projeto e/ou execução, desde erros de dimensionamento à mão de obra desqualificada e materiais de baixa qualidade. Infiltrações, trincas, portas empenadas, vazamentos, entre outros, são exemplos de problemas que podem ser verificados e reparados ainda na fase da garantia do imóvel, a fim de evitar agravamento posterior, ou seja, são de responsabilidade direta da Construtora ou Incorporadora da edificação.

  • Exógenos ou externos: devido a intervenção de terceiros, como danos relacionados a obras na vizinhança, choques de veículos em partes da edificação, vandalismos, etc. Nesses casos, sugere-se a realização de perícia e apuração investigativa, para que sejam reparados pelos causadores desses danos, conforme dispõe o Artigo 186 do Código Civil (Brasil, 2002), ou seja, “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar o direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.

  • Naturais: provenientes da imprevisibilidade de ações da natureza, tais como excessivas descargas elétricas, enchentes, terremotos e outros, que coloquem em risco a própria segurança da edificação. É conveniente a devida vistoria técnica e orçamento para avaliar a extensão dos problemas e valores dos reparos, visando receber o pagamento correto dos sinistros pela seguradora da edificação.

  • Funcionais: decorrentes do uso inadequado, envelhecimento ou falta de manutenção, tais como sujidades e desgastes de revestimentos e fachadas, incrustações e corrosões, ataques de agentes xilófagos (cupins). Um importante passo para evitar problemas desse tipo é a realização de vistorias periódicas, coordenadas por um plano de manutenção com ações corretivas e/ou preventivas.


Normalmente, tem-se uma combinação de fatores que são provenientes de irregularidades diversas. Não é mérito do presente artigo abordar com profundidade cada tipo comum de manifestação patológica, tendo em vista que cada um pode ser objeto de extenso trabalho de pesquisa sob o ponto de vista físico, mecânico, químico, executivo, estrutural e de uso.

A ANÁLISE TÉCNICA DO PROBLEMA É PARTE ESSENCIAL PARA UMA CORREÇÃO ADEQUADA


O(A) profissional do meio deve ter em mente que deve estudar e compreender diversas normas técnicas relacionadas aos sistemas construtivos, tais como a NBR 6118 e NBR 6122 para estruturas de concreto armado, NBR 7190 para estruturas de madeira, NBR 8800 para estruturas em aço, NBR 10837 para alvenarias estruturais de blocos vazados de concreto, como também normas específicas para tintas, impermeabilizações, revestimentos cerâmicos, entre outros. A investigação de manifestações patológicas é possível quando se tem ciência da condição ideal ao qual os sistemas deveriam estar funcionando.


É imprescindível analisar a condição de segurança do sistema estrutural, mesmo que a princípio não seja a principal razão ao qual o(a) profissional foi solicitado à edificação. De acordo com DE SOUZA e RIPPER (1998), em relação aos sistemas estruturais, as principais anomalias são detectadas com o surgimento de fissuras, posto que toda edificação, durante a obra ou mesmo após sua conclusão, está sujeita a deslocamentos, até que seja atingido um estado de equilíbrio entre os carregamentos e a fundação.


Recomenda-se, então, que antecedente ao tratamento de fissuras, deve-se mapear e monitorar cada manifestação, a fim de identificar a origem e saber se a situação se encontra ativa ou sustada. Na figura abaixo, ilustra-se os procedimentos de mapeamento e monitoramento de fissuras realizados durante o período de estágio obrigatório do autor. Outros problemas relacionados às estruturas consistem em mal dimensionamento da seção transversal resistente, inexecução de juntas, ataque de íons e anidridos carbônicos na corrosão e carbonatação do concreto armado, entre outros.


Etapas de Mapeamento e Monitoramento de Fissuras

As alvenarias e sistemas de vedação em geral são compostos por elementos inertes, ligados e revestidos por argamassa. Os principais problemas construtivos relacionados a esses elementos rondam problemas de execução, como: desaprumo, que acarreta num aumento na espessura de emboço e reboco que pode dar margem para fissurações mapeadas na cura do mesmo, e trincas nas regiões de encunhamento, pela falta de material expansivo no encontro entre a parede e um material estrutural.


Em relação aos acabamentos, por serem os elementos em contato direto com os usuários, geralmente são os que possuem maior controle de qualidade por parte dos mesmos. Tendo em vista que a função do acabamento não é somente estética, como também de proteção dos sistemas estruturais e de vedação de intemperismos, deve-se verificar se foram executadas conforme especificação, assim como averiguar essas especificações, se atendem à necessidade do projeto.


As manifestações patológicas em acabamentos argamassados e pinturas estão, em geral, associadas a bolhas, descascamento, fissuras de retração, pulverulência, manchas, eflorescência; em acabamentos azulejados, percebe-se em geral falta de projeto, indicando juntas, especificações de superfície, compatibilização com a análise estrutural da edificação, o que provoca, por vezes, fissuras e desplacamentos. Na figura abaixo, ilustra-se um exemplo de edificação com problema generalizado de desplacamento de pastilhas cerâmicas na fachada. Na situação, a execução do sistema construtivo havia sido realizada em menos de 2 anos. À direita, demonstração de locais onde deveriam ter sido executadas juntas de acordo com a NBR 13755 (ABNT, 1996), vigente à época.


Mapeamento de peças cerâmicas soltas e Croqui demarcando os locais onde deveriam haver juntas

Dos vícios redibitórios, os que provocam grande reclamação, entre vizinhos e usuários em geral, são aqueles oriundos da infiltração de água. Considerando que a água sempre flui, seja de cima pra baixo por ação da gravidade ou de baixo pra cima por capilaridade, assim como percorre mesmo os menores dos espaços, a simples constatação de água e manchas de umidade não constitui informação suficiente para se determinar sua origem, e cada caso é um caso. A umidade causa mofo, eflorescência, ferrugem, perda do sistema de pintura, danifica estruturas, entre outros.


Nas áreas molhadas das edificações, como banheiros, copas, boxes, áreas de serviço, entre outras, as infiltrações costumam ser encontradas em juntas ou em trocas de direção, como encontro de paredes e piso e ralos. Em vistorias nos telhados e coberturas é importante verificar detalhadamente de calhas, rufos, drenagens e tubulações em geral – recomendando-se vistorias em dias de chuva. Em vistorias em reservatórios, geralmente, problemas de infiltração estão relacionados à problemas de impermeabilização.





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